“Os riscos decorrentes da falta de planejamento em gerenciamento de projetos são enormes. E quando falamos no mercado da construção civil são ainda maiores devido à grandiosidade das obras”, alerta Juliano Reis, representante do Project Management Institute (PMI) para a América Latina, que continua: “O principal risco é o financeiro, que pode ocasionar um grande ‘rombo’ para a empresa e, em caso de companhias menores, até provocar o fim do negócio”.

Pensando nisso, as construtoras estão buscando capacitar seus profissionais, e querem contratar pessoas que tenham experiência comprovada, competência para gerenciar o projeto, e certificação, como a oferecida pelo PMI.

Em pesquisa desenvolvida pelo Anderson Economic Group, apoiada pelo PMI, constatou-se que até 2020 haverá um crescimento de 30% nas vagas para gerentes de projetos no mundo. Isso significa que, até lá, 1,1 milhão de novos postos de trabalho vão surgir. “Eu não tenho como dizer o valor exato somente do Brasil, mas se olharmos a quantidade de investimentos que estão sendo feitos aqui, as indústrias que estão sendo criadas, os projetos de engenharia que estão sendo construídos, o cenário é muito positivo”, afirma Reis.

Segundo ele, nos últimos oito anos o Brasil virou um grande canteiro de obras – Copa, obras de infraestrutura, PAC, PAC II etc. “A contratação de gestores de projetos pelo setor da construção civil aumentou muito. Só que não é a contratação de qualquer gestor de projetos, mas sim de profissionais que conheçam a função, tenham qualificação, vínculo e experiência”. E ressalta: “É uma excelente oportunidade para os profissionais mudarem de emprego, se qualificarem, ganharem mais, crescerem profissionalmente e serem reconhecidos”.

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Qualificação

A contratação de gestores de projetos pelo setor da construção civil aumentou muito. Só que não é a contratação de qualquer gestor de projetos, mas sim de profissionais que conheçam a função, tenham qualificação, vínculo e experiência

Segundo o representante, as indústrias que mais crescem no Brasil atualmente e que têm o maior número de membros no PMI são as de tecnologia da informação e de engenharia. E os executivos de grandes empresas já estão se dando conta da importância de entenderem e utilizarem o gerenciamento de projetos. “São obras que envolvem grandes equipes e muitos fornecedores, aumentando o risco da perda de controle do escopo, ou seja, de entregar um produto que o cliente não pediu e que não pagará”. E afirma: “A ausência de profissionais qualificados para trabalhar em projetos já é um problema”.

Dados do IBGE indicam que o Brasil forma cerca de 38 mil engenheiros por ano enquanto a demanda é de 120 mil. “Existe uma lacuna a ser preenchida tanto por novos profissionais como para os que já estão trabalhando. O importante é a qualificação, a busca por conhecimento para a função. Com isso, com certeza serão mais valorizados”.

Gestão qualificação

Resultados

A eficiência e agilidade na busca por resultados já é uma constante na maioria das empresas. E isso faz com que os profissionais trabalhem mais com menos. “Devem entregar mais e melhores resultados, com uma equipe menor e com menos recursos. E a qualidade deve estar sempre acima do que é esperado”, completa Reis. Nesse cenário, a escolha de um profissional para o cargo de gestor de projetos deve ser precisa.

“Encontrar um profissional não é um problema. O difícil é achar um gestor, alguém que entenda como gerenciar, que saiba deixar de lado a parte técnica e ser mais generalista. Olhar para o todo – custo, qualidade, escopo, fornecedores, riscos, equipes etc. – faz o trabalho do gestor de projetos ser único e diferenciado dentro das empresas”.

Em construtoras ou indústrias, o gerenciamento de projetos deve ser uma habilidade estratégica tanto dos profissionais da operação – que executam e entregam o dia a dia da empresa – como do executivo, da equipe de gestão. “Se o executivo não gerencia o projeto de forma adequada, vai gastar mais dinheiro e tempo, e enfrentar mais riscos e problemas que não necessariamente precisaria. Além de perder ótimas oportunidades por não ter planejado”, ressalta o representante.

Em se tratando de projetos de engenharia, os valores também são altíssimos, de grandes somas e por todo o Brasil. “As empresas podem correr o risco de tocar um projeto sem fazer um planejamento, ter uma organização? Não, porque esse risco é traduzido em perda financeira. E qual a empresa que está disposta a isso?”, indaga Reis.

A ideia é lançar logo o produto para ter o retorno financeiro rapidamente. Pensando nisso, o gerenciamento de projeto torna-se uma habilidade essencial para toda a equipe de profissionais. “Planejar, empreender, organizar entregas em fases, em pequenas etapas, e em uma sequência lógica de tudo o que será preciso para o projeto. Dessa forma, é possível ter uma dimensão do risco e pensar em maneiras de minimizá-lo”.

Para o representante, os principais desafios da gestão de projetos são sempre os mesmos: gerenciar o escopo, o tempo, o custo junto com toda a equipe – cada pessoa acha que o seu lado é prioritário –, e convencer os profissionais sobre a importância de cumprir prazos. “Um dia de atraso pode tirar a vida de uma pessoa. Um ótimo exemplo são os projetos da ONU no Sudão do Sul. Eles têm um impacto social muito grande e os desafios de engenharia e infraestrutura são enormes. Atrasos nesses projetos podem significar uma cidade inteira sem água por seis meses”.

 

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América Latina e mercado nacional

Encontrar um profissional não é problema. O difícil é achar alguém que entenda como gerenciar, olhar para o todo

Observando as empresas brasileiras e da América Latina, existe, segundo Reis, um subconjunto de companhias que estão no topo, que investem em gerenciamento e planejamento. “É o caso da Petrobras, que tem um esforço muito grande nesse sentido em virtude dos projetos milionários que desenvolve e que não podem correr o risco de dar errado. Nessas empresas, é visível o esforço de planejamento, existe uma cultura de projetos”, afirma.

Mas esse é um grupo de empresas específico. Por outro lado, há um grande número de companhias que não dá a importância devida ao gerenciamento de projetos. “É uma questão cultural. Na América Latina, o valor do planejamento não é tão considerado. As pessoas não costumam dar a relevância necessária ao planejamento para depois executar. O brasileiro é ótimo executor e, se sair algo errado no meio do caminho, a gente dá o famoso ‘jeitinho’ e resolve o problema. Mas corremos um risco muito grande”, sublinha.

Já nos países nórdicos, a situação é totalmente diferente. O valor do planejamento é tão grande que existe uma dificuldade de adaptação ao longo do caminho, quando é necessário haver uma mudança. “Se as empresas brasileiras dessem mais importância para o planejamento, e não ao projeto todo, mas em fases, etapa por etapa, haveria uma diferença muito grande no resultado”, comenta o representante.

E explica: “Em vez de entregar um prédio gigante que, se falhar o projeto, será entregue somente as fundações, o ideal é fazer a entrega de três pequenos prédios que, se falhar o projeto, daqui a três meses, pelo menos, já estarão prontos dois edifícios”. E conclui: “Com um bom planejamento é possível identificar o risco, se preparar e conseguir aproveitar as oportunidades que surgirem. Quem se planejou para a subida do dólar, por exemplo, está ganhando dinheiro agora. Isso é fruto do planejamento”.

 

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Redação AECweb / Construmarket


Colaborou para esta matéria

Juliano Reis – É representante Latino Americano do PMI® – Project Management Institute Inc.(PMI®) para o Brasil. Atuou de 2003 a 2009 como voluntário no PMI Rio Grande do Sul (2006 a 2009 na Direção do Capítulo), bem como membro da equipe de revisão do PMI OPM3. Fez parte do grupo de trabalho da 2ª Edição do Padrão de Gerenciamento de Programas do PMI, além de submeter artigos para Congressos Globais do PMI.

É familiarizado com a Comunidade do PMI no Brasil e é Gerente de Projetos profissional. Nos últimos anos, tem dedicado parte do seu tempo ensinando Gerenciamento de Projetos em Universidades como PUC-RS, UNISINOS, FGV e SENAC, e na comunidade local.

É formado Bacharel em Ciência da Computação pela PUC-RS e MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), além das certificações PMP, ITILF e Scrum Master. Durante 5 anos atuou como Gerente de Projetos da Dell Inc., onde foi responsável por gerenciar projetos de desenvolvimento de software com equipes distribuídas no Brasil, EUA, Europa, Índia e Ásia-