Responsáveis diretos pelo bom desempenho e qualidade do produto fornecido, os gestores de projetos de obras são o elo entre a obra, o projeto e a equipe de apoio, como suprimentos, orçamentos e planejamento, e interagem com o cliente ao mesmo tempo em que fornecem suporte a todas as áreas relacionadas.

“Acredito que o mercado veja no gestor de projetos o responsável pela organização, controle, avaliação e planejamento do processo de projeto, o que não difere muito da imagem que a construtora tem deste profissional”, comenta Érica Urbani, responsável pela coordenação de projetos na WTorre Engenharia.

Ela tem observado que o número de arquitetos é bem superior ao de outros profissionais quando o cargo é gestão de projetos, “porém os engenheiros civis também têm atuado neste segmento”.

A crescente ampliação de projetos de obras sinaliza a maior atenção das construtoras com a qualidade do produto final. Nessa medida, aumentam as exigências projetuais e seu nível de especialização. Na maioria das vezes, o uso da metodologia de gestão de contratação de grande parte dos projetos, ainda na fase de desenvolvimento do projeto arquitetônico, tem sido a única solução para atender os prazos estabelecidos, deixando de ser uma alternativa para se tornar uma necessidade.

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“Como os prazos de obra solicitados pelos clientes têm sido cada vez mais reduzidos, os prazos para desenvolvimento de projetos de obras são os primeiros a serem impactados. Se houver uma gestão bem feita, o resultado pode ser muito positivo, trazendo benefícios não só ao cliente, mas também ao projeto, que se torna mais eficiente e competitivo em termos de soluções técnicas, custos e adoção de novas tecnologias”, explica Érica

Ela prossegue: “Parcerias com os fornecedores são constantes e muito importantes para o processo, garantindo à empresa contratante qualidade, eficiência e a consolidação de padrões de fornecimento. A fidelização entre as partes acontece em todos os âmbitos, seja na aquisição de serviços ou materiais/sistemas. O desenvolvimento de fornecedores acaba sendo consequência desta prática”.

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CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO X EMPREENDIMENTOS CORPORATIVOS

Atualmente focada na gestão de projetos de empreendimentos corporativos e de centros de distribuição, Érica mostra que as aparências enganam e que a diferença maior está na gestão. “Os centros de distribuição aparentam ser mais simples, porém ambos têm seus diferenciais e requerem cuidados específicos de gestão. Um centro de distribuição – apesar de envolver projetos de menor complexidade e número, já que o enfoque é dado fundamentalmente às questões logísticas, com prazos mais reduzidos e uma arquitetura mais ‘engessada’ –, requer um conhecimento técnico mais apurado”

“Uma simples alteração de pé direito pode gerar impacto significativo no sistema de combate a incêndio, por exemplo. Já um empreendimento corporativo, por se tratar de um produto com enfoque de mercado, acaba adotando muitas vezes uma arquitetura mais arrojada, inovações tecnológicas e certificações verdes como valor agregado. Estes diferenciais tornam o volume de informações e fornecedores envolvidos maiores, requerendo consultorias e profissionais mais especializados”, afirma Érica.

Os centros de distribuição, em geral, se localizam em regiões isoladas das grandes cidades, enquanto os edifícios corporativos estão inseridos em áreas densamente povoadas. Este fato acaba por interferir em questões relacionadas a planejamento e custo de obras, principalmente quando a construtora participa do processo.

 

 

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Érica explica que, em ambos os casos, uma análise criteriosa do entorno, tais como possibilidades de acessos, fornecedores e qualidade de mão de obra disponível, pode implicar na adoção ou não de certo partido projetual ou metodologia construtiva. “Fica sob responsabilidade do gestor direcionar as equipes, de forma a garantir o atendimento das necessidades do cliente, causando o menor impacto possível no escopo original”.

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Os materiais e sistemas construtivos utilizados nesses dois tipos de obras diferem em função das exigências de cada segmento. Dependendo do grau de complexidade e nível de sofisticação requerido, o impacto se dá principalmente em um número maior de equipes envolvidas e no maior número de projetos de obras a serem coordenados.

“O volume de informações técnicas geradas para um empreendimento corporativo tende a ser maior, demandando projetos cada vez mais especializados. As exigências sobre o gestor tornam-se proporcionalmente maiores, já que o controle de fluxo de informações, o estabelecimento de interfaces e a avaliação da qualidade das informações geradas cabem diretamente a ele. As responsabilidades projetuais passam a ser distribuídas entre vários projetistas e o gestor é o responsável pelo estabelecimento desta comunicação”, explica Érica.

Em relação à economia resultante de boas práticas e tecnologias que colaboram com a sustentabilidade do edifício, Érica acredita que, sem dúvida, ela é mais eficiente no edifício corporativo. “No galpão de logística, os artifícios adotados normalmente já contribuem de forma eficiente para a sustentabilidade do edifício, como a iluminação zenital e sistemas de ventilação natural. No edifício corporativo, estas boas práticas são essenciais, pois seu uso envolve questões energéticas e de conforto, que requerem cuidados e atenção redobrados para que seja garantida a eficiência e a eficácia do empreendimento na fase pós-obra”, diz.

Redação AECweb
 

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Colaborou para esta matéria:

Érica Degan Urbani é arquiteta urbanista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É pós- graduada em Tecnologia de Edificações pela Escola Politécnica da USP em parceria com a Petrobrás. Tem atuado junto de escritórios, construtoras e incorporadoras líderes de mercado na concepção e coordenação de projetos arquitetônicos de edificações, arranjos e urbanização de pequeno a grandes portes em diversos segmentos. Hoje desenvolve seu trabalho nas áreas de Pré-Engenharia, prestando suporte na elaboração de propostas técnicas, e Gestão de Projetos, como coordenadora de projetos, da WTorre Engenharia.